João Candido Portinari fala sobre a descoberta da importância de seu pai

Quando era pequeno, João Candido Portinari perguntou à mãe por que seu pai não trabalhava, só ficava em casa pintando quadros. Ele não tinha ideia de que era filho de um dos maiores artistas plásticos que o Brasil já teve! Mesmo depois da morte de Candido Portinari, em 1962, quando João tinha vinte e poucos anos, ele não sabia a dimensão exata do que as obras do pai simbolizavam, representando, inclusive, o país no exterior, como com os painéis da obra Guerra e Paz, presenteados à Organização das Nações Unidas (ONU) em 1956, quando ocorreu a inauguração do prédio da entidade em Nova York, nos Estados Unidos.

Ele contou, em visita à Cerâmica Portinari, que somente se deu conta da importância do artista que era seu pai aos 40 anos e que, daí em diante, decidiu tomar para a si a responsabilidade de resgatar sua história, suas obras e mostrar novamente ao Brasil quem era Candido Portinari. Foi então que surgiu o Projeto Portinari. Antes disso, João estava envolvido com seus estudos de matemática na França e nos Estados Unidos e, depois, com a implantação do curso de matemática na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Principais características das obras de Candido Portinari

Nessa imersão na vida e obra de seu pai, João descobriu que ele era um artista extremamente eclético. Antônio Callado, jornalista e escritor que fez a biografia de Candido Portinari, fala que se fosse levado em conta a diversidade da obra do pintor, poderia se dizer que elas foram feitas por 100 artistas diferentes. Realmente, Portinari se inspirou em temas sociais, históricos e religiosos, que retratavam o trabalho no campo e na cidade, a infância, os tipos e as festas populares, os mitos, o folclore, a fauna, a flora e a paisagem. Ele fez um grande retrato, crítico, aliás, da terra, do povo e da alma brasileira.

Podemos destacar entre suas obras, além dos painéis dados à ONU, os quadros Baile na Roça e o Lavrador de Café, as ilustrações da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (MG) e a série Os Retirantes (imagens abaixo). O Projeto Portinari tem catalogadas mais de 5,4 mil obras, o que dá em média uma obra a cada três dias durante os 40 anos em que Portinari se dedicou à pintura.

Diante de toda essa diversidade, no entanto, João diz que a obra de seu pai tem um único fio condutor: o sentimento. Para ele, os quadros retratam uma profunda comunhão que Portinari tinha com os seres humanos e a natureza.

Deixe seu comentário

Este campo é obrigatório

Este campo é obrigatório

O endereço de e-mail é inválido